A COMUNICAÇÃO GENUÍNA


Um dos grandes desafios da contemporaneidade é a comunicação. Caçados diariamente pelos dispositivos eletrônicos, acabamos nos apegando a uma forma de interação superficial. A tecnologia é maravilhosa e certamente uma revolução, mas ela deve ser parte e facilitadora de nossas vidas e não um modo de viver. Em grande parte dos dias, pergunto-me: onde estão as pessoas? Quem elas realmente são? 
Percebemos um grande número de adultos, adolescentes e até mesmo crianças desabafando suas angústias nas redes sociais. Onde está a rede de apoio dessas pessoas na vida real? Talvez a tecnologia, tenha nos trago a vaga sensação de não estarmos mais sozinhos, mas basta que acabe a internet para que essa sensação seja acometida pela solidão. 
Tendo isto, casais compartilham diariamente o que fazem através de seus celulares, o resultado é que a vida real a dois pode tornar-se chata "eu sei tanto sobe o meu parceiro que perdi o interesse por ele", não há mais sobre o que conversar. Jovens também passam horas em seus dispositivos, falando, interagindo, criando mundos virtuais. A problemática é que para uma grande parcela desses jovens, a entrada no mundo real pode ser assustadora.
O que isso pode trazer a longo prazo? Bem, pessoas com poucas habilidades sociais para resolverem seus problemas,  pessoas que não suportam frustrações, pessoas que não sabem se expressar na vida real, afinal aqui fora, não são usados emoticons. Pessoas ansiosas e com intenso sofrimento ao estarem em público. Ficar sem o celular é definitivamente perder o GPS da vida.
Mas e a comunicação genuína, disposta no título deste texto? Comunicar-se genuinamente, é expressar sem medo do julgamento, nossas dores, angústias e o que nos incomoda ao outro. É também expressar sentimentos bons, advindos de boas experiências. É  fazer elogios, dar um abraço, acolher. É ser capaz de ser sensível ao próximo, capaz de pedir ajuda, conseguir dizer sem meias palavras as suas necessidades. Apontar erros, mas reconhecer os seus. A comunicação autêntica não esconde quem somos, é sermos "isso" e pronto.  É sermos claros e transparentes. 
Na comunicação genuína, corremos o risco de magoar o próximo e nos magoar também, mas correr este risco é importante. Deixamos claro nossa posição, receio, medos, indiferente do olhar que será dirigido a nós. A questão é que em meio a tantas novidades tecnológicas, temos perdido a habilidade de expressão. Engolimos seco, rasgando-nos por dentro, e não vemos a hora de chegar em casa, para pegar o celular e dizer tudo que estava engasgado, ou em muitos casos, apenas silenciamos e sofremos. Não conseguimos olhar nos olhos de nossos pares, pensar em falar de nossas aflições, gera intensa ansiedade.
Ora, o outro não pode saber que não estamos felizes? Não pode saber que nos magoou? Ou então, ele sabe que te faz feliz? Às vezes deixamos claro nosso amor para o mundo, mas não para quem está ao nosso lado. Às vezes valorizamos uma amizade para uma legião de "amigos", mas o nosso amigo real, pode não sentir isso. Você tem perguntado como o outro se sente? Tem dito como você se sente? 
Comunicar-se é uma habilidade, aprendida e melhorada com o tempo. A comunicação genuína reduz sofrimentos e nos ajuda a aumentar a expectativa de vida, pois mais vale um pássaro na mão, do que dois mil voando. A ausência dessa comunicação, vai nos matando. Deixamos tanto de falar de tristeza quando de felicidade. Apenas seguimos, guardamos o que foi bom para nós, e o que foi ruim, também. Chega-se ao ponto, em que perdemos o equilíbrio emocional, apenas porque não nos comunicamos com a vida lá fora. 
Se você fosse pensar na sua rede de apoio "viva" hoje, quem seria? Que tal dizer a eles como são especiais pessoalmente? Se você não tem muita habilidade, que tal começar a treinar? A vida fica mais leve quando não precisamos esconder quem somos e o que sentimos.  A expressão virtual é válida também, mas a interpessoal pode ser indescritível! 

Uma boa e genuína semana à todos!
Autora: Gabriela F. Esma Lopes
Psicóloga CRP nº08/26196
Parceira da Ampliar
Artigo de responsabilidade da autora.

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